
A crescente demanda por imóveis para locação, decorrente principalmente do aumento das taxas de juros, vem estimulando o interesse de investidores
O mercado de locação de imóveis em Londrina experimenta um dos períodos de maior aquecimento de sua história recente, impulsionado diretamente pelo ciclo de alta da taxa Selic. A intensificação da demanda valoriza os aluguéis na cidade e estimula o interesse de investidores.
Segundo dados do Índice FipeZap, os preços dos aluguéis residenciais no Brasil subiram 13,05% no ano passado, superando a inflação do mesmo período. Para empresários que atuam no setor em Londrina, esse número na cidade pode ser ainda maior, se intensificando nos últimos quatro meses de 2025.
“Observamos nos últimos quatro meses uma alta de pelo menos 20% no valor dos aluguéis. Atualmente, o maior desafio é encontrar imóveis para locação. A rapidez é muito grande, dependendo do imóvel nós não temos tempo nem de fotografá-lo para o anúncio. Hoje, a maioria dos imóveis nem chega a ir para o anúncio, ele é consumido dentro da fila de espera", analisa o CEO da CMSouza Imóveis, Cleber Maurício de Souza.
O fenômeno é nacional e respaldado por pesquisas recentes da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC). Segundo o Panorama do Mercado Imobiliário da entidade, divulgado em dezembro de 2024, houve uma queda significativa nos estoques de imóveis disponíveis para locação em todo o Brasil, especialmente nas cidades de médio porte do interior, como Londrina. O relatório aponta que a duração dos estoques de imóveis residenciais para locação atingiu o menor patamar dos últimos anos, refletindo o alto consumo e a velocidade de ocupação dos imóveis disponíveis.
Se os aluguéis sobem, cresce também o movimento de investidores para o mercado imobiliário, que fazem aquisição de imóveis voltados para a locação de olho na alta rentabilidade desse ativo. No segundo trimestre de 2024, 49% dos compradores de imóveis classificaram a aquisição como “investimento”, o maior percentual desde 2014, segundo a pesquisa Raio-X FipeZap. Entre esses investidores, 63% pretendem alugar o imóvel, enquanto 37% planejam revendê-lo futuramente.
De acordo com a presidente do Sinduscon PR Norte, Celia Catussi, esse é um movimento do mercado também perceptível em Londrina e deve persistir enquanto as taxas de juros não baixarem. “Os investidores conservadores veem nos imóveis uma alternativa sólida e rentável, com retornos que chegam a superar outras modalidades de investimento. A valorização patrimonial e a alta demanda por locação tornam o momento especialmente favorável tanto para quem investe quanto para construtoras que projetam seus produtos.”
Os imóveis como os de um e dois dormitórios, lideram a procura pois costumam ter alta demanda e baixa vacância, oferecendo maior liquidez e retorno proporcional ao valor investido. Além dos juros, o movimento das gerações mais jovens que optam pela locação devido ao estilo de vida é cada vez mais sólido, ainda mais no pós-pandemia.
"O comportamento das pessoas mudou bastante. Hoje, buscam muita praticidade. Imóveis que oferecem serviços, facilidades, acessibilidade, saem muito na frente. É muito interessante para o investidor conservador comprar para alugar nesse momento”, completa Souza.